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Santos: a Libertadores antes das finais únicas

A história de uma final depende também das regras usadas para a decidir. O Santos de 1962 e 1963 permite visitar uma Libertadores muito diferente da atual.

1962–1963

Em 1962, Santos e Peñarol disputaram dois jogos: o clube brasileiro venceu por 2–1 em Montevideu e perdeu por 3–2 na Vila Belmiro. Cada equipa somou uma vitória. A decisão exigiu um terceiro encontro, realizado em Buenos Aires, que o Santos ganhou por 3–0. Aplicar automaticamente um formato moderno a esta final seria uma forma de reescrever o regulamento.

No ano seguinte, o adversário foi o Boca Juniors. O Santos venceu por 3–2 no Maracanã e por 2–1 na Bombonera, assegurando o bicampeonato. O total de 5–3 é uma descrição correta dos golos dos dois jogos, mas a leitura da eliminatória deve respeitar o sistema de pontos então usado. Dois triunfos tornavam desnecessário um desempate.

O primeiro erro que uma tabela histórica pode induzir é parecer mais moderna do que o próprio acontecimento. Uma coluna de "agregado" é cómoda para o leitor, mas pode esconder o critério efetivamente decisivo. O mesmo cuidado aplica-se aos golos fora, ao prolongamento e às grandes penalidades: a existência atual de um mecanismo não significa que ele estivesse disponível em todas as edições anteriores.

Os locais também contam uma história. Uma final pode incluir o estádio habitual de um clube, um recinto maior noutra cidade e um jogo de desempate noutro país. Por isso, "em casa" e "fora" nem sempre bastam para explicar a experiência concreta de uma equipa. Neste caso, nomear Montevideu, Santos, Buenos Aires e Rio de Janeiro torna o percurso mais visível do que uma simples linha com campeão e vencido.

Olhar para os dados

Ano / jogoEncontroResultado
1962 · 1.ºPeñarol-Santos1-2
1962 · 2.ºSantos-Peñarol2-3
1962 · desempateSantos-Peñarol3-0
1963 · 1.ºSantos-Boca Juniors3-2
1963 · 2.ºBoca Juniors-Santos1-2

A ordem dos clubes é a do encontro. O desempate de 1962 realizou-se em campo neutro, em Buenos Aires. [1-2]

A diferença entre 1962 e 1963 é ideal para aprender a ler regulamentos. No primeiro caso, uma vitória para cada lado manteve a decisão aberta; no segundo, duas vitórias do Santos resolveram-na. O objetivo não é declarar um sistema melhor do que outro, mas mostrar que a justiça de uma comparação depende de conhecermos a regra partilhada pelos participantes. Sem isso, até uma soma correta pode contar a história errada.

Fontes

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