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Brasil 1970: talento também precisa de organização

Os nomes e os golos são inesquecíveis. Mas a campanha brasileira de 1970 torna-se ainda mais interessante quando a observamos como uma sequência de problemas resolvidos por uma equipa.

1970

O Brasil ganhou os seis jogos que disputou no Mundial de 1970, no México. Venceu Checoslováquia, Inglaterra e Roménia na fase de grupos; depois afastou Peru e Uruguai antes de derrotar a Itália por 4-1 na final. Terminou com 19 golos marcados e sete sofridos, conquistando o terceiro título mundial masculino. [1]

Na final, Pelé colocou o Brasil em vantagem, Roberto Boninsegna empatou e os golos de Gérson, Jairzinho e Carlos Alberto fecharam o resultado. O último tornou-se particularmente lembrado pela construção coletiva que antecedeu a finalização. A jogada permite discutir uma ideia simples: quem marca encerra uma ação que pode ter sido preparada por vários colegas. [2]

Chamar "talentosa" a uma equipa não dispensa a análise do seu funcionamento. Para que um jogador receba em boas condições, outros precisam de criar linhas de passe, ocupar adversários ou oferecer cobertura. Essas tarefas nem sempre aparecem no resumo televisivo, mas fazem parte da possibilidade de executar um gesto técnico. Talento e organização não são explicações rivais: podem reforçar-se mutuamente.

A campanha também não foi uma sucessão de goleadas iguais. O 1-0 diante da Inglaterra e o 3-2 contra a Roménia lembram que a margem de vitória variou. Uma equipa pode manter uma identidade sem repetir o mesmo guião. Ler os seis resultados lado a lado ajuda a evitar que a final, por ser o último e mais simbólico encontro, represente indevidamente toda a experiência do torneio.

Olhar para os dados

FaseAdversárioResultado do Brasil
GrupoChecoslováquia4-1
GrupoInglaterra1-0
GrupoRoménia3-2
Quartos de finalPeru4-2
Meia-finalUruguai3-1
FinalItália4-1

Resultados da campanha de 1970. Soma: 19 gols marcados e 7 sofridos. [1-2]

O saldo de gols do Brasil foi de +12, mas o indicador não mede beleza, criatividade ou dificuldade dos adversários. Serve para descrever uma diferença objetiva. Para discutir organização, a atividade proposta usa um desenho pedagógico de apoio ao portador da bola. Não é uma reconstrução exata da final: o seu valor está em mostrar que uma opção individual depende da posição dos restantes jogadores e do espaço disponível.

Fontes

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