Scoric

Ajax 1971-73: o futebol total não era desordem

Trocar de posição pode parecer liberdade absoluta. Na prática, a liberdade de um jogador só ajuda a equipa quando os restantes conseguem interpretar o espaço que ele deixa.

1971–1973

O Ajax conquistou três Taças dos Clubes Campeões Europeus consecutivas entre 1971 e 1973. Nas finais, venceu o Panathinaikos por 2-0, o Inter por 2-0 e a Juventus por 1-0. A sequência consolidou a associação entre o clube de Amesterdão e o futebol total, com Johan Cruyff como uma das suas figuras centrais. [1-2]

O termo descreve uma forma de pensar o jogo em que a mobilidade e a troca de funções são fundamentais. Isso não significa que todos corram para qualquer lugar. Uma movimentação pode libertar uma zona, mas também criar uma necessidade de compensação. O desafio coletivo consiste em conservar ligações úteis enquanto os jogadores mudam de posição. A liberdade é mais produtiva quando os colegas conseguem lê-la.

Podemos imaginar um corredor lateral com três jogadores. Se o mais adiantado vem receber por dentro, alguém pode aproveitar o espaço exterior; outro colega terá de proteger o equilíbrio atrás da bola. O exemplo não reproduz uma jogada específica do Ajax. É um modelo didático que permite perceber por que razão uma troca isolada, sem resposta dos restantes, pode piorar a organização em vez de a enriquecer.

Os resultados das três finais oferecem outro dado interessante: o Ajax não sofreu golos nesses encontros. Isso não prova, por si só, como defendia em todos os jogos, mas contraria a ideia de que uma equipa lembrada pelo ataque só pode ser explicada pela criatividade ofensiva. O controlo do espaço também interessa quando se perde a bola. Atacar e defender pertencem ao mesmo problema coletivo.

Olhar para os dados

AnoAdversário da finalResultado do Ajax
1971Panathinaikos2-0
1972Inter2-0
1973Juventus1-0

Soma das três finais: cinco golos marcados, nenhum sofrido. Não representa todos os jogos das campanhas. [1-2]

Comparar táticas de épocas diferentes exige prudência. Uma expressão histórica pode sobreviver enquanto mudam o ritmo, as regras e os perfis dos jogadores. O melhor uso de um quadro tático não é fingir que contém toda a verdade de uma equipa, mas tornar uma relação compreensível. Aqui, o princípio a explorar é a compensação: quando alguém abandona uma zona importante, quem garante que a equipa continua ligada?

Fontes

Artigos relacionados